Reflexões em Tempo de Crise

Reflexões em Tempo de Crise

 


Covid 19 – Pandemia, Crise, Cura e Evolução Sistémica

 

Ao longo dos tempos e ciclicamente a Humanidade vê-se a braços com uma qualquer espécie de epidemia, desde as pestes, à gripe espanhola, à asiática, passando pelos diversos vírus e bactérias, estamos sempre sujeitos à precariedade e à consciência da nossa finitude corporal e existencial.
O que há de novo nesta pandemia? O facto de termos em pleno século XXI uma visão mais global das sociedades e dos regimes vigentes e um maior sistema de comunicação que nos liga a todos instantaneamente de uma forma única.
O que é o Corona nos vem dizer: que todos somos um e que estamos todos no mesmo barco, e, que na visão dele, somos todos iguais sem distinção social, ou seja, somos todos humanos!
Se o que está em causa é a sobrevivência humana e o isolamento que ela pressupõe, então é tempo de pararmos e equacionarmos os modelos que construímos nas nossas vidas e repensar a mensagem que este vírus trás com ele, para reerguemos e planificar o nosso futuro.
Pela lei da sincronicidade nada acontece por acaso e cada evento significativo é portador de sentido.
Numa primeira fase o Covid 19 trouxe-nos de uma forma mais evidente o seu lado de sombra: medos, vazios, inseguranças, isolamento, confrontação existencial com todo o tipo de valores, significados, crenças e fé de cada um na vida.
Após o primeiro embate e no seu aspecto luz/consciência, o vírus levou-nos a parar, escutar e a olhar. Afinal, este está a ter efeitos benéficos nos níveis da poluição, no tratamento das pessoas, no alargamento da solidariedade, e está a promover uma maior consciência do outro e um aumento de sensibilidade face às grandes questões humanas e sociais.
Este é o momento para irmos para além das polémicas de partidos, de clubismos, nacionalismos e outros tantos ismos…o momento é para unir, cuidar e solidarizar com os reais problemas humanos.
A humanidade está em risco, este planeta é a nossa casa mãe e se não cuidarmos dele estaremos a hipotecar a nossa sobrevivência e de toda a espécie humana, animal e vegetal.
As grandes mudanças passam pela descentralização das cidades, por um retorno à natureza, por um desenvolvimento equilibrado da tecnologia, por uma economia solidária e sustentável, por um desenvolvimento de comunidades autónomas, abertas à partilha e à interdisciplinaridade. As associações comunitárias poderiam agrupar-se em função de interesses, valores e ideais, procurando sempre um equilíbrio entre a vertente material e espiritual.
Com os recursos e a tecnologia que dispomos hoje, podíamos mesmo, ter um mundo bem melhor, mas para tal, é necessário uma elevação dos níveis de consciência e uma educação assente mais no ser do que no ter.
Nesta crise, está contida a oportunidade de mudarmos o estilo de vida, os hábitos e os preconceitos, é tempo de acabarmos com todo este materialismo imoral assente em capitalismo selvagem que se encontra praticamente institucionalizado em todo o mundo. As pessoas tornaram-se escravas do dinheiro e do consumo, e a exploração de recursos e pessoas, tem gerado cada vez mais fome, caos, guerra e desequilíbrios pelo planeta. A ganancia pelo lucro e pela exploração da mão-de-obra barata, desencadeou ainda mais pobreza nas classes desprivilegiadas, ao ponto de algumas pessoas na China alimentarem-se e comercializarem todos os tipos de animais! O capitalismo selvagem chinês, espelho das civilizações ocidentais desencadeou uma onda de reação na forma de um vírus global capital, eclodindo em 2019 o Corona vem hoje colocar em causa o valor da vida!
Simbolicamente a coroa, na Índia conhecido como chacra coronal, é onde está sediado o topo da espiritualidade, e simultaneamente, é também o símbolo do orgulho, emblema da autocracia do Ego.
O que nos remete a outra questão: esta crise é para fortalecer o poder material e os governos ditatoriais, ou poderá servir de alavanca, para uma redistribuição mais igualitária dos recursos materiais e naturais de forma a desenvolvermos um outro paradigma social?
As pessoas querem continuar no dever e na obrigação constante da luta pela sobrevivência e de não terem tempo para pensar, relaxar e meditar ou preferem uma vida em que trabalham por prazer na ajuda a si mesmo e ao próximo sem o jugo da pressão e da obrigação de terem de trabalhar para sobreviver?
É claro que esta atitude criativa implica liberdade, autor-responsabilidade, sentido de dever e missão.
O espírito de equipa e de cooperação quando estamos a produzir algo que nos identificamos faz muito mais do que anos a fio a trabalhar por aquilo que não acreditamos nem valorizamos!
Krisis, em grego antigo significa oportunidade, os tempos são de mudança de paradigmas e de valores, não seria de bom-tom, vermos passar o tempo com este vírus e esta crise sendo apenas observadores de um filme que não nos toca nem nos emociona!
Aproveitemos pois esta quarentena nesta fase da Quaresma, 40 dias falam de iniciação e purificação, e a próxima Lua cheia – a da Páscoa, fala de renascimento no ciclo da natureza e na alma humana.
L.R

 

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