» Questões polémicas da Astrologia

 

1. Porque é que há gémeos verdadeiros (nascidos à mesma hora) que são tão diferentes?
 

L R: Este é um tema complexo e muito debatido ao longo dos tempos. No caso de gémeos nascidos do mesmo óvulo é preciso ver se realmente nasceram ao mesmo minuto, penso que essa questão só é válida no caso de gémeos siameses, mas sinceramente não tenho experiência concreta deste género.

 

Nos outros casos, a diferença a partir de 4 minutos na hora de nascimento já provoca diferenças nos ângulos do tema: Ascendente e Mc (meridiano do lugar) de 1º em cada 4 minutos. Apesar de nalgumas situações as diferenças serem mínimas, há alguns aspectos aos ângulos do tema natal que se tornam mais acentuados num dos gémeos em questão, refiro-me essencialmente aos planetas masculinos ou femininos que ao estarem mais acentuados num dos gémeos pode levar a que um se afirme ou seja mais extrovertido do que o outro. Se pegarmos no exemplo de Mercúrio ou Júpiter, então dar-se-á o caso de a comunicação, os estudos, ou a confiança prevalecerem naquele que tem o aspecto mais exacto. Cada planeta tem a sua particularidade e a sua especificidade, imaginemos dois óptimos corredores dos 100m, o que os separa são apenas uns escassos centésimos de segundos, com gémeos nascidos com uma escassa diferença passa-se um pouco a mesma coisa, quanto maior o tempo que os separa mais as diferenças se acentuam nos gémeos.

 

Para além da consanguinidade, há também o caso dos gémeos astrais, são as pessoas que nascem no mesmo dia, à mesma hora e no mesmo local. Quer num caso quer noutro, os que as identifica são o facto de partilharem os mesmos padrões energéticos presentes no nascimento de cada um, os desafios e as propostas de evolução são muito semelhantes em ambos, mas a resposta perante cada situação poderá ser diferente e estará em consonância ou em sincronicidade com o propósito da alma de cada ser.

 

O Horóscopo pode descrever aspectos e características da personalidade, o itinerário e os desafios a serem confrontados, mas não nos pode dizer de uma forma absoluta em que grau ou patamar de evolução no qual cada ser se encontra. A alma é livre e não pode ser determinada, as circunstâncias como as áreas de vida e as funções operativas das energias dos planetas é que podem ser detectadas com alguma precisão.

 

2. Qual é o grau de exactidão de uma carta astral?

 

L R: Os Planetas influenciam não só as pessoas, como todos os seres vivos e toda a matéria orgânica do Sistema Solar. Para além do efeito gravitacional, cada planeta emana uma energia distinta como se fosse um reflector de uma determinada luz do espectro solar, uma espécie de foco electromagnético e radioactivo que interage com todas as partes do sistema, por analogia, o mesmo se passa com um órgão do corpo humano, onde tudo se encontra em relação simbiótica no seio do Todo. Em astrologia, cada planeta emite uma energia muito própria que se traduz em tipologias comportamentais quando relacionamos cada planeta com a estrutura da psique. Assim, e como exemplo, a dominante venusiana expressa numa pessoa atributos ligados à doçura, à sociabilidade, ao gosto pelo prazer, à sensibilidade e afinidades estéticas.

 

3. De que forma é que os planetas influenciam as pessoas?

 

L R: Sim, é verdade, somos influenciados pelo ambiente, família, sociedade, raça, espécie… Então em que consiste a diferença da influência astral? O particular, a matéria e as suas formas inerentes, desdobram-se no reino da multiplicidade através de séries infinitas, mas com os astros temos um movimento oposto e complementar, trata-se aqui do movimento em direcção ao mundo das formas abstractas ou dos grandes arquétipos se quisermos utilizar a nomenclatura Jungiana. Os arquétipos ou modelos contraem a realidade a princípios simples que permitem classificar qualquer tipo de fenómeno religando-o à sua fonte e matriz. Por exemplo, quando se dá uma crise económica a uma escala colectiva, podemos inferir e compreender quais as forças planetárias activas que estão na base do fenómeno particular. Numa conferência que dei na primavera de 2008 no Centro Quiron em Lisboa já tinha referido os aspectos mais salientes da crise que se veio a instalar e que ainda preside nos nossos dias. A caracterização da crise económica foi fácil de descrever em função dos aspectos tensos que iriam ocorrer entre Saturno/Úrano e Saturno/Plutão. Vemos assim, que para além do meio ambiente somos influenciados por certas energias oriundas do Cosmo que vão interagir com todas as restantes que nos são familiares.

 

4. Não somos todos influenciados da mesma maneira por tudo o que nos rodeia?

 

L R: Sim, é verdade, somos influenciados pelo ambiente, família, sociedade, raça, espécie… Então em que consiste a diferença da influência astral? O particular, a matéria e as suas formas inerentes, desdobram-se no reino da multiplicidade através de séries infinitas, mas com os astros temos um movimento oposto e complementar, trata-se aqui do movimento em direcção ao mundo das formas abstractas ou dos grandes arquétipos se quisermos utilizar a nomenclatura Jungiana. Os arquétipos ou modelos, contraem a realidade a princípios simples que permitem classificar qualquer tipo de fenómeno religando-o à sua fonte e matriz. Por exemplo, quando se dá uma crise económica a uma escala colectiva, podemos inferir e compreender quais as forças planetárias activas que estão na base do fenómeno particular. Numa conferência que dei na primavera de 2008 no Centro Quiron em Lisboa já tinha referido os aspectos mais salientes da crise que se veio a instalar e que ainda preside nos nossos dias. A caracterização da crise económica foi fácil de descrever em função dos aspectos tensos que iriam ocorrer entre Saturno/Úrano e Saturno/Plutão. Vemos assim, que para além do meio ambiente somos influenciados por certas energias oriundas do Cosmo que vão interagir com todas as restantes que nos são familiares.

 

5. Se tivermos conhecimento de que determinada coisa vai acontecer, devido a certa conjuntura astral, podemos alterar deliberadamente o nosso comportamento de forma a que, se o desejarmos, não aconteça? (Podemos modificar o futuro?)

 

L R: Tal como afirma a Física Quântica a possibilidade que uma coisa aconteça é apenas uma possibilidade entre muitas. Peguemos no exemplo do tema anterior, se bem que a probabilidade de acontecer uma crise económica no sistema capitalista actual fosse bastante elevada, o facto é que se não houvesse especulação no mercado imobiliário, no mercado dos derivados, no mercado da bolsa de Wall Street, enfim no sistema económico vigente, o que é que aconteceria? A energia planetária não se faria sentir? Não, nada disso, esta seria apenas deslocada para os sectores da sociedade que requeressem maior remodelação e atenção. Numa sociedade mais evoluída provocaria uma grande tensão saber que há ainda povos e países em subdesenvolvimento com condições precárias de saúde e de alimentos. Nesta mesma perspectiva, não poderíamos dizer a alguém que tenha aspectos tensos ao seu Sol que iria sofrer do coração, pois a energia também se poderia deslocar para uma crise de identidade. Com tudo isto quero dizer, que a forma concreta de previsão não é possível utilizando somente os conceitos da técnica astrológica. A astrologia serve para aconselhamento e para a detecção de ambientes energéticos passíveis de se manifestarem no mundo concreto, não para fazer predições.

 

Respondendo agora à questão se é possível fazer previsão, diria que a técnica astrológica permite caracterizar uma determinada fase e ver qual a qualidade da energia que está nessa altura em acção ou movimento, outra coisa é ter o dom, ou a capacidade de olhar para o futuro tal como os profetas faziam. A intuição é de grande valia, mas só se for utilizada em benefício da consciência. Com isto quero dizer que nos dias de hoje só é licito fazer previsões específicas quando estas apontam para um caminho evolutivo e consciente do indivíduo ou da humanidade. Se existir um risco que algo aconteça de indesejável devemos estar consciente dessa possibilidade, com a certeza porém, de que a consciência interfere no mundo da matéria podendo desse modo alterar o futuro. Já houve na história imensas predições profetizadas que foram transmutadas e alteradas por um acréscimo colectivo da consciência.

 

6. Quem conhece o seu mapa está mais protegido do que quem não conhece?

 

L R: Não, tudo depende do grau de consciência do indivíduo. O poder de alterar e transformar as situações é proporcional à consciência e à capacidade vital do ser.  O conhecimento profundo da astrologia pode sim ajudar-nos no processo de auto consciência e de crescimento individual.

 

7. Conhecer a nossa carta astral pode limitar e tolher os nossos passos, no sentido de nos tornar fatalistas?

 

L R: Só se praticarmos uma corrente astrológica que acentua o determinismo sem levar em conta a liberdade individual. Na perspectiva de uma astrologia humanista e transpessoal conhecer o nosso mapa capacita-nos a reconhecer quem somos, a trazer os conteúdos do inconsciente para o consciente, a aproveitar melhor os potenciais e os dons herdados, a trabalhar os bloqueios e os fantasmas e a reconhecer o propósito da alma que se encontra latente. A liberdade está sempre presente mesmo quando sentimos apelos contraditórios no diálogo entre a personalidade e a alma.

 

8. A carta astral é uma forma de conhecimento como outra qualquer?

 

L R: Não, é um saber antigo preciosíssimo que fala a linguagem do Cosmo. Quando actualizado com o conhecimento moderno torna-se uma ferramenta extremamente útil no estudo dos ciclos humanos, históricos e da psique individual e colectiva. A carta astral é uma fotografia holográfica que reproduz o Cosmo estando em permanente conexão com a Matriz Divina, não foi por acaso que Fernando Pessoa num dos seus ensaios inéditos a designou como a “Ciência das Ciências”.

 

9. Ir ao astrólogo é uma forma de terapia?

 

L R: Nem sempre, isso só acontece quando cliente e astrólogo conseguem catalisar e transformar certas energias que reconhecidas por ambos trazem um acréscimo de energia e de consciência à sessão, de outro modo, esta não irá passar de um aconselhamento ou de um encontro entre duas realidades/personalidades que só se tocam a nível inconsciente.

 

10. Porque é que alguns astrónomos dizem que há 13 signos e que estes perderam a sua validade por se encontrarem desfasados das respectivas constelações?

 

Temos primeiro que distinguir os Signos das Constelações pois têm conceitos distintos e realidades diferentes.

 

O Zodíaco Tropical (o dos signos) assenta na divisão do movimento de translação da Terra em volta do Sol em doze faixas designadas por signos. O início da contagem começa no ponto vernal, o ponto de partida para a observação celeste quer nas Coordenadas Equatoriais da astronomia quer das Coordenadas Zodiacais ou Elípticas na astrologia. Daí que em ambas, os pontos equinociais e de solstício são coincidentes correspondendo às estações do ano, aos signos cardinais, e dividem o círculo em quatro partes iguais. Sendo assim o signo de Carneiro começa sempre no equinócio da primavera em termos astrológicos tal como a primavera começa no equinócio no calendário gregoriano. O Zodíaco Tropical teve a sua origem na Grécia antiga e as suas principais divisões foram sistematizadas por Ptolomeu.

 

O que é o Zodíaco Sideral?

 

O Zodíaco Sideral representa a divisão do Equador Celeste em doze fatias ou signos tentando fazer corresponder os Signos com as Constelações das quais obtiveram o mesmo nome. O problema é que a divisão do círculo por 12 atribui 30º a cada signo e as Constelações não têm essa proporção, umas são enormes e outras mais pequenas. Para complicar a situação há de facto uma 13ª Constelação na Cintura Equatorial, trata-se de Ofiucus ou Serpentário que se situa entre a Constelação do Escorpião e a do Sagitário e que já era conhecida pelos gregos.

 

Para a Astrologia Suméria e Egípcia a representação Zodiacal aparece por volta de 1500 AC em plena Era de Carneiro, no momento histórico em que se tentou fazer o casamento entre os Signos e as Constelações. A Escola de Alexandria irá abandonar essa ideia fixando-se essencialmente no Zodíaco Tropical que foi depois transmitido aos Árabes e depois propagado pela Pérsia, Índia, e Península Ibérica.

 

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Curiosidade:
A Astrologia mais antiga da Suméria e do Egipto nem utilizavam as Coordenadas Zodiacais, ou seja não utilizavam signos. Em vez disso estabeleciam uma relação com base na observação a partir do Horizonte e do Meridiano do lugar entre os planetas e as Estrelas de maior grandeza, esta técnica foi designada pelos gregos pelo termo Paran. Se quisermos restituir a relação do Zodíaco com as Estrelas penso que seria mais lícito, fazer coincidir posições planetárias com as Estrelas principais, do que procurar fazer coincidir signos com constelações, pois como acabámos de ver são mundos bem diferentes e distintos.

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